Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa

VOLP: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 6.ª edição

A Academia Brasileira de Letras tem com a Academia das Ciências de Lisboa uma longa tradição lexicográfica que começa em 1933 com o Vocabulário Ortográfico e Ortoépico da Língua Portuguesa e se prolonga nas sucessivas edições do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), desde sua primeira edição em 1943.
Um Vocabulário Ortográfico – ao arrolar, com base em acervos de língua escrita, as palavras correntes na sua forma ortográfica oficial – é um instrumento fundamental para a gestão da ortografia da língua. Mas é importante não só por ser a referência da ortografia vigente, como também por poder servir de base para a elaboração dos dicionários gerais da língua.

Com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 fez-se necessário atualizar o VOLP – o que foi feito pela ABL na sua 5.ª edição (2009) – e também elaborar o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) com dois objetivos fundamentais: listar as formas ortográficas autorizadas pelo Acordo Ortográfico (que admitiu, para alguns casos, formas ortográficas facultativas), e congregar o acervo de palavras correntes nos diversos países de língua oficial portuguesa (considerando que o Acordo Ortográfico unificou as normas ortográficas da língua, superando a pluralidade até então existente). Para a elaboração do VOC, a ABL cedeu, oficialmente, sua base lexicográfica que, depois de tornada compatível com o sistema usado no VOC, passou por um amplo processo de validação por meio do cruzamento de seus dados com várias outras fontes lexicográficas, entre as quais o Vocabulário Ortográfico Português (VOP), o corpus lexicográfico do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional da USP/ São Carlos – NILC (que serve de base ao corretor ortográfico do Microsoft Office do Brasil) e o Corpus Brasileiro (Berber Sardinha da PUCSP).

O resultado foi uma nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa que passou, então, a integrar o VOC. Nesta feição apresenta outras vantagens, porque todas as palavras arroladas foram devidamente validadas, além de agregar novas informações, tais como a divisão em sílabas, a marcação da sílaba tônica, o paradigma flexional, relações funcionais com outras entradas (especificamente com palavras morfologicamente relacionadas), bem como índices de frequência.

Deste modo, esta edição do VOLP representa um significativo avanço no registro lexicográfico brasileiro e, por isso, se reveste de grande importância como fonte segura de consulta para os especialistas e para o público em geral.

Ao mesmo tempo, estando integrado ao VOC, o VOLP contribui para este valioso instrumento que, agregando os Vocabulários Nacionais de todos os países de língua oficial portuguesa, serve não só de referência lexicográfica para toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como também permite uma gestão efetivamente conjunta da ortografia da língua.

Carlos Alberto Faraco e Evanildo Bechara
Membros representantes do Brasil no Corpo Internacional de Consultores do VOC

Como citar esta obra:
Bechara, Evanildo (coord.) (2017). Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 6.ª edição. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras.